sexta-feira, 22 de maio de 2020

Vivendo com um Buda: Minha experiencia com Vipassana.

Quando eu deixei os altos mares voltei pra casa um pouco acelerado, sem paciência, sem foco e ate mesmo com alto nível de tensão e e stress - devo deixar claro que esses sintomas não foram prescritos em nenhum laudo médico, apenas identificado por minha autoanalise. Sendo assim comecei a buscar formas de concentração, equilíbrio e ate mesmo de tratamento, uma vez que esses sintomas poderiam me levar a tratamentos mais sérios, sendo assim voltei a praticar Yoga 4 vezes por semana, o que me ajudou muito no processo de concentração, mas faltava uma coisa... Até que uma amiga perguntou como foi meu retiro de meditação, e eu respondi que havia cancelado devido a minha data de embarque no ano passado. Porém a palavra meditação assombrava todos os lugares que eu ia, sempre alguém comentava alguma coisa haver, seja em livros, TV, musicas... Parecia ate uma forma de perseguição. 

Enfim, es que recorri ao site do Vipassana e pra minha infelicidade as turmas estavam lotadas mas me cadastraram numa lista de espera caso houvesse alguma desistência, até que um dia antes de dormir me veio a tona o pensamento sobre Vipassana, e que se caso eu não fosse na próxima turma ficaria muito difícil, afinal eu acabei de voltar de um trabalho muito estressante, me dei 2 meses de férias e se eu não fizesse por agora muito improvável poder fazer em outras datas, pois já pretendia esta trabalhando, estudando, então pensei antes de dormir: Ah se tiver que ser será. 

No outro dia recebo um e-mail logo pela manhã informando que eu havia saído da lista de espera e que poderia confirmar minha ida ao curso. Sem duvida confirmei, ajustei tudo e finalmente fui rumo ao Dhamma Santi em Miguel Pereira no interior do Rio de Janeiro.

Para os leigos no assunto Vipassana, significa ver as coisas como realmente são, é uma das mais antigas técnicas de meditação da Índia. Foi descoberta por Buda há ais de 2.500 anos e ensinada por ele como um remédio universal para os males universal, ou seja, uma Arte de Viver. Essa técnica não sectária visa a total erradicação das impurezas mentais e a resultante suprema felicidade liberação completa. A cura, não a mera cura de doenças, mas a curra essencial do sofrimento humano, é o seu propósito.

Vipassana é um caminho de autotransformação que utiliza a auto-observação. Foca a profunda interconexão entre mente e corpo, que pode ser experimentada diretamente pela atenção disciplinada às sensações físicas, que, por sua vez, constituem a vida do corpo e continuamente se interconectam e permitem a vida da mente.

É essa jornada de auto conhecimento baseada na observação – que objetiva a raiz comum da mente e do corpo – a responsável pela dissolução das impurezas mentais, resultando numa mente em equilíbrio, cheia de amor e compaixão.

Ao chegar no local você "assina" um termo de compromisso: não roubar, não matar nenhum ser vivo (incluindo baratas e pernilongos), não mentir, não fazer sexo (nem mesmo do tipo que se faz sozinho), não usar substâncias como álcool, drogas ou medicamentos. Também são recolhidos objetos como livros, canetas, celulares, enfim abandonamos tudo o que nos liga ao mundo exterior, antes de ir eu comentei muito com minha irmã que o fato que mais me deixava preocupado era não poder ler ou escrever e ela muito amigavelmente me disse para desenvolver uma técnica de escrita sem nenhuma material e eu lembrei muito amavelmente dessa sua dica ao entregar um bloco de anotações e duas canetas ao supervisor. 

Regras
Assim começa o retiro, te entregam orientações do seu quarto, amavelmente chamado por mim de "chave" onde possui informações sobre a sua cama, dormitório e quarto. Ao caminhar ate o meu quarto me encantei com as paisagens de cartão postal, montanhas, verde, natureza plena e pelo primeiro momento pensei "Vou tirar uma foto" mas meu celular não estava comigo, daí comecei a perceber que o retiro começava. 

Orientação de dormitório, quarto e cama.
Em silencio, todos são orientados a olharem para o chão, não fazer contatos visuais ou corporais, enfim... Zero comunicação. Para mim, permanecer em silêncio por dez dias era a parte mais confortável do roteiro, alias, se fosse só isso o curso seria fácil demais, o que me assustava era a imobilidade física que a curso exigia. Eu sabia que teria de passar 12 horas por dia sentado, coluna ereta, cabeça firme sobre o pescoço. Em dez dias foram 120 horas na mesma posição – o equivalente a um curso básico de inglês. Parece assustador, mas faz parte do procedimento. 



O sino toca as 04:00 da manhã pontualmente, tendo uma função de "soneca" as 04:15 - Indicando que havia aula de meditação as 04:30.  Nos banheiros só se escutava barulho de escovas de dente, abrição de boca e pelo espelho algumas caras de mal humor. 

Cronograma diário.
Às 04:30, estávamos todos sentados no chão, sobre um fino tapete, cada uma em seu lugar determinado. O professor entrou na sala e sentou-se em posição de lótus sobre um tablado mais alto, tendo visão de toda a turma. Era magro, comprido e cabeça branca. Gastei um tempo considerável pensando com qual personagem de animação ele se parecia, mas não cheguei a nenhuma conclusão. Ele espichou o braço e ligou um aparelho de CD. Ouvi, pela primeira vez, a voz do mestre de origem indiana S.N. Goenka falando num inglês carregado. Depois, suas instruções eram traduzidas para o português em outra gravação.

Na primeira instrução, Goenka mandou… respirar.

Inspira, expira, inspira, expira, inspira, expira, inspira, expira, inspira, expira, inspira, expira, inspira, expira, inspira, expira, inspira, expira, inspira, expira, inspira, expira, inspira, expira, inspira, expira, inspira, expira, inspira, expira, inspira, expira, inspira, expira, inspira, expira, inspira, expira, inspira, expira, inspira, expira, inspira, expira, inspira, expira, inspira, expira, inspira, expira, inspira, expira, inspira, expira, inspira, expira, inspira, expira, inspira, expira.

Isso tudo por um longo dia, não teria espaço para escrever toda essa instrução, ocuparia no minimo um documento em word com 120 gigas. 

A tarefa era apenas observar a respiração, de olhos fechados, sem interferir. Desde o primeiro dia, somos ensinados a observar “a realidade como ela é”. Minha grande descoberta nessa estréia foi perceber que o ar não entra sempre pelas duas narinas e sai pelas duas, mas às vezes entra pela direita e sai pela esquerda. Ou vice-versa. As vezes pensava: Que droga, meu nariz esta entupido. 

Todos os dias às 04:00 da manhã eu me contorcia para ir, era muito frio, ainda era noite, eu não possui lanterna e penava em encontrar algum amiguinho da mata (aranhas, cobras ou sapos) dava alguns gritos mentais e logo saia da cama com a função soneca do sino (às 04:15).   
À noite, eu com uma insone crônica tratada por Dramin, dormia no minuto em que me deitava. Nunca tinha pensado que observar a respiração pudesse ser mais extenuante que desligar o celular, mas era. Muitos pensam que meditação é um descanso, um relaxamento. Mas descobri que era uma maratona da mente. Eu estava imóvel, mas dentro de mim parecia que eu corria descalço a São Silvestre.

Logo na primeira noite acordei várias vezes surpreso por vários sonhos, ate que interroguei o meu gerente: 
- Cara, é normal sonhar tanto assim? 
- Cada vez mais. Me respondeu cochichando com um sorriso cativante no rosto.

Algumas vezes apos o almoço costumava deitar numa especia de "jardim" que existe na frente do dormitório masculino, ate que um dia deitado na manta que minha mãe botou na minha mala sem eu perceber percebi que uma formiga estava presa na manta. Tentei libertá-la, mas no afã heroico de salvá-la devo ter me excedido, porque ela desencarnou. Esse cadáver me doeu mais que qualquer crime do passado. Homicídio culposo, defini. Não houve dolo, intenção. Devo fazer um B.O.? Parece uma situação boba, mas quando sua mente, perigosa precisa de apenas atenção tudo vira uma grande bola de neve.

A cada intervalo emergiam do meu inconsciente lembranças que eu não sabia que tinha. Gente que eu havia esquecido, episódios apagados. Alguns dramáticos, outros singelos, um repertório bem variado. Lembrei, por exemplo de personagens da minha dura infância. 

Aos poucos esses pensamentos vão reduzindo, levando apenas a momento que precisam ser tratados, curados, abençoados ou qualquer outro nome que você queira utilizar, ate que você conhecer uma coisa chamada "ser equânime" é onde tudo começa a fazer sentido... Sempre se fala muito em apego, ego, comparação, sentimentos grosseiros, são palavras que não fazendo parte da sua pratica e também da sua vida (caso termine o curso).
Fui conduzido a momentos mais duros da minha vida, a feridas mais intimas, duvidas, conceitos, rancores e por fim trabalhados de forma especial cada uma dessas marcas. Alguns dias com muito choro, outros momentos com muitos sorrisos mas no coração sempre o sentimento de gratidão. 

Posso confessar a vocês que não é fácil. E não é fácil pela primeira vez, não é fácil para quem faz pela segunda vez, e dizem que não é fácil para quem faz pela décima vez. Porém crescemos justamente nas dificuldades. Ao fazer um curso de Vipassana você se supera a cada momento. Cada dia é diferente. Em alguns momentos sua meditação flui bem, em outros momentos você não consegue se concentrar, e às vezes você até pensa em ir embora! É preciso muita, muita determinação, isso é chamado de  Adhitthana – firme determinação. É falar para si mesmo: vou concluir não importa o que aconteça, seja a dor, tédio, calor, frio ou qualquer outra dificuldade. É falar para si mesmo a todo instante na meditação, não vou me levantar mesmo que minhas pernas doam. Esta mesma firme determinação que precisamos levar essa firme determinação para nossas vidas.

Nossa mente tenta arrumar diversas desculpas: ah estou com dor, está calor, fulano está se mexendo muito e está me atrapalhando, etc. É aí que superamos, é aí que nos mostramos forte e vencemos nossa mente.

Os alunos que já fizeram o curso uma vez ficam mais a frente, e os novos um pouco para trás. Isso é bom, pois servem de exemplo aos mais novos. Eu estava passando por alguns dias difíceis, de dor nas pernas, e quando olhava na fileira da frente tinha um senhor, aparentando cerca de 70 anos, e estava totalmente concentrado e imóvel. Ele chegava vagarosamente, andando cuidadosamente, se ajoelhava (cada um pode ficar na posição que preferir desde que mantenha a coluna ereta) e ficava imóvel por 30 minutos, 1 hora, 2 horas. Um exemplo! Ai eu pensava: E eu aqui reclamando. No final do curso fiz questão de conversar com ele, dizer que me inspirou muito nos momentos difíceis, mesmo sem saber seu nome, e nunca termos conversado, sua atitude me ajudou. E para minha surpresa descubro que ele estava no 26° curso! E com toda humildade disse: continua não sendo fácil.

Cada dia é uma nova experiência. As refeições e horários de meditação são avisados com o toque do sino. Nos primeiros dias, mal conseguia ouvir o sino, e tinha receio de perder a hora. Depois de alguns dias, o sino chegava a me incomodar de tão alto, parecia que estavam tocando na janela do meu quarto ou dentro do meu ouvido. Mas o volume sempre foi o mesmo, a diferença é que minha mente se tornou atenta a tudo. Percebi o quanto vivemos distraídos, e muitas vezes não percebemos as coisas que acontecem a nossa volta. Na sala de meditação, em total silêncio, é possível ouvir o engolir de saliva do seu colega ao lado. Você percebe sons que sempre estavam presentes, mas nunca conseguiu notar devido ao barulho externo, e devido ao barulho da sua mente. Afinal, você já ouvir o terrível barulho que respirar causa?

Aprendemos humildade. Ficamos bravos quando a pessoa do nosso lado levanta e faz barulho e nos incomoda, mas em determinado momento precisamos ir ao banheiro e percebemos que por mais silenciosamente que levantemos, também vamos atrapalhar quem está do nosso lado.

Portanto ao realizar Vipassana, além da maravilhosa técnica que você aprende você irá se conhecer mais, e aprender inúmeras outras coisas, que não cabe descrever aqui, afinal, para cada um é uma experiência diferente. Apenas vivendo você poderá comprovar.

Alguns amigos sempre me perguntam:
- Cara como foi o retiro, como é? O que viveu?
E eu tenho uma resposta pronta na minha cabeça:
- Você gosta de sentir dor? Você gosta de se desconstruir? Você gosta de ficar sem celular? Sem falar? Você gosta de estar longe de tudo? Se sua resposta for não para pelo menos uma dessas perguntas você deveria ir. 

Gostaria de deixar claro que essas é a minha experiencia, baseada na minha vivencia, na minha observação dos meus Saṅkhāras. Bons estudos a todos e lembrem sempre: 




...Sadhu, sadhu, sadhu...


quarta-feira, 13 de maio de 2020

Salve os Pretos Velhos e Pretas Velhas!

Hoje o dia é tomado por uma energia diferente, sabendo que é comemorado o dia dos Pretos Velhos, essa falange de espíritos lindos me emociona e me atravessa a alma. humildes, compreensivos, estão sempre prontos a ajudar.... Se apresenta curvado, fala uma algaravia (quase sempre necessita de tradutor) que se considera como sendo “angolano” ou “africano” de modo geral. Chama todos de “meu fio”; sua dança é calma. Fuma cachimbo e usa bastão para se apoiar... Quem me conhece sabe que dou muito valor a aqueles cinco minutos de atenção a esses espíritos cheio de sabedoria, na humildade empregada a cada palavra e sobre tudo no conhecimento e clareza que nos traz contando as histórias do “outro lado” quando os é permitido falar. Lembro ainda da primeira vez que chorei nos ombros de um Preto Velho, de cada banho de erva... Ou até mesmo naquela firmeza no pensamento que mandava eu ter. Ah que gratidão tenho os abraços de Vovó Catarina, a escolha de Vovô Pedro, os puxões de orelha de Pai Benedito - é só amor!
Vale lembrar também a energia do dia 13 de maio de 1888, através da Lei Áurea, que a liberdade total finalmente foi alcançada pelos negros no Brasil. Esta lei, assinada pela Princesa Isabel, abolia de vez a escravidão no Brasil.

Hoje eu acredito que seja aquele dia de preparar um bom bolo de fubá, comer uma raspa de rapadura, um café sem açúcar, sentar em contato com a natureza e somente agradecer... E lembrar sempre: Fio, se suncê precisa / É só pensá na Vovó / Que Ela vem te ajuda...


Salve a Princesa Branca!
Salve a Liberdade!
Salve o Dia 13 de Maio!
Salve os Pretos Velhos e Pretas Velhas!

terça-feira, 28 de abril de 2020

Fechar ciclos, fechar portas, encerrar capítulos: Uma etapa dolorosa porém necessária.

Sei que é muito difícil aceitar quando uma etapa da vida termina. Porém se você insistir em permanecer nela, poderá perder a alegria e o sentido de viver, o que para mim é uma doença. Chame como quiser: fechar ciclos, fechar portas, encerrar capítulos; o importante é fechá-los e seguir em frente. Sabemos que é doloroso, porém é necessário.

Não podemos viver o presente pensando no passado e nem ficar o tempo todo nos perguntando: “Porque isso aconteceu comigo”? Estamos longe do dom de podemos ser crianças ou adolescentes eternamente, seria um sonho ser um eterno Peter Pan, não somos funcionários de empresas inexistentes eternamente e não somos obrigados a ter vínculos com pessoas que não gostam de nós.

As situações acontecem e devemos deixá-las ir, faz parte do processo de continuação, sabe aquela teoria onde o homem nasce, cresce, reproduz e morre? É exatamente igual.

É normal que de repente, um sentimento de nostalgia lhe invada a cabeça e você se lembre de todo o tempo perdido, os minutos desperdiçados que não voltam mais. Entenda que o tempo é o nosso bem mais valioso; o tempo é vida.
É normal lembrar do passado; o que é prejudicial é viver com as feridas emocionais abertas. São elas que nos impedem de caminhar, viver o presente e desfrutar tudo o que temos.

Acreditar que o passado foi melhor é garantia de sofrimento emocional no presente. Essa crença nos impede “de soltar e deixar ir” e podemos mergulhar num abismo profundo.
É assim que surge a vertigem emocional, que nos impede de esquecer o passado, curar nossas feridas e viver o presente.

Algumas pessoas acreditam que olhar para o passado é perda de tempo; o importante é viver o presente, não descordo, nem entro em discussões porém dessa forma, as tristezas emocionais do passado vão se acumulando, criando “uma montanha de dor” cada vez maior e cada vez mais difícil de mover.

Imagine que uma pessoa alérgica tenha como hábito varrer toda a poeira de casa para debaixo do tapete, achando que isso não vai afetá-la.
É o que acontece com as feridas emocionais. Precisamos nos libertar das correntes que nos ferem, para que as feridas não se aprofundem. O que você é hoje é fruto do seu passado, tenha sido ele bom ou ruim.
Revisando seu interior você não conseguirá mudar o passado, mas sim entender as partes negativas e não permitir que elas perturbem o seu presente. Isso é muito doloroso, mas abre espaço para o novo.
Superar o medo do passado é a única forma de acabar com esse sofrimento.


Imagine que você está soltando um balão; as cordas que o prendem vão se afrouxando, até que ele se solta completamente. Deixe-o ir, enquanto olha para o céu até perdê-lo de vista, sorrindo e sentindo muita paz.

Enfim;

Se não traz alegria para sua vida… Solte

Se não lhe faz feliz… Solte

Se permanece ao seu lado, mas não acrescenta nada de bom… Solte

Se procura segurança e assim evita o esforço de desenvolver-se… Solte

Se não reconhece suas qualidades… Solte

Se não lhe dá carinho… Solte

Se não promove o seu sucesso… Solte

Se não lhe é grato... Solte

Se diz, mas não faz… Solte

Se não há um lugar em sua vida para você… Solte

Se tenta mudá-lo… Solte

Se o amedronta… Solte

Se são mais desencontros do que acertos…Solte

Se simplesmente o faz sofrer…Solte

Liberte-se…a perda será muito menos dolorosa do que a dor de apegar-se “ao que já foi ou nunca foi e não é mais”.

E quando soltar tudo, simplesmente: Viva.




segunda-feira, 27 de abril de 2020

Escrever, um prazer mais que terapêutico

Cansado de escrever em infinitos documento de Word busquei trazer ao mundo um pouco do que se passa dentro de mim, afinal teoricamente estamos todos dentro de uma mesma bolha, ainda que pessoal, ainda que transitória, ainda que unica compartilhamos de muitos sentimentos e sensações comuns. 

Ainda na minha adolescia tive uma psicologia que dizia: Escreva, escreva quando você se sentir triste, feliz, apaixonado, quando alguém morrer ou simplesmente quando sentir que está ficando louco, mas não pare de escrever. Daí pra frente colecionei cerca de 200 paginas de word, onde escrevia sobre cada situação, sobre cada momento, sobre cada momento que passou da minha vida, hoje analiso esses textos e posso reviver cada pessoa, cada momento, cada segundo. Mas calma: Você também pode relembrar o momento ruim? Posso, e percebo que não foi tão ruim assim, e que tudo  não passou de um aprendizado.

Sim, teve dias que eu não queria escrever, teve dia que eu surtei, escrevi com raiva, com amor, chorando, rindo, escrevi ate por escrever, e teve dias que foi apenas de leitura.. Mas sempre deixei meu documento ali, nunca finalizado, cheio de virgulas, mas nunca um ponto final, hoje me pergunto o porque nunca coloquei um titulo naquele documento, já que seu titulo é "novo documento de Word" ate hoje, me perco nos meus pensamentos, vou dentro de mim, questiono, penso, bagunço meu consciente e não acho explicações.. Afinal porque temos esse péssimo costume de colocar nomes e funções nas coisas? Eu tenho certeza que é mais fácil aceitar as coisas como elas são, ou melhor, como ela é. 

O Word sempre terá sua pagina em branco, meu teclado estará conectado ao computador, as letras juntas foram palavras escrevendo historias, pensamentos, sentimentos, momentos... trazendo a mim milhares de sensações. 

Pensando bem é melhor parar de querer nominar as coisas.